segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Almoço solidário com Cante alentejano, em Santa Susana – Landal, evoca paroquianos à união para juntos chegarem longe

No primeiro almoço de angariação de fundos, promovido pela paróquia do Landal, em Santa Susana, no passado dia 28 de janeiro, foram muitos os que contribuíram para que o pároco José Gonçalves possa regressar, o quanto antes, à casa onde morava. Com o Cante alentejano a animar e a despertar nos paroquianos e população local um “coração solidário”, o sacerdote lembrou que o “bem comum” é de todos e para todos, e que deve ser uma realidade sempre viva em construção no quotidiano.

“Estamos todos a lutar para que a residência paroquial seja reconstruida. Não só para mim, mas para que os párocos que passarem por aqui, tenham um espaço onde vivam mais perto de vós. Por isso significa que somos todos co-responsáveis, na mesma direção e resolução dos problemas”, manifestou o padre José Gonçalves pedindo à comunidade que a “solidão nunca envelheça” seus corações, e que o espírito de solidariedade permaneça contagiante.

Lembrando que está ao serviço das paróquias há mais de 5 anos, o presbítero pôde concluir ao longo desta ação pastoral, que  comunidade e pároco, “unidos”, podem “chegar longe”. “Deus dá respostas muito grandes às necessidades e às coisas que são de todos, que cada um sinta a responsabilidade dessa missão”, reforçou.

O responsável sublinhou ainda que a ideia destas iniciativas, que visam angariar fundos para a reconstrução da residência paroquial, não passam apenas pela refeição e convívio, mas também pelo cariz do conhecimento e suas tradições; e exortou a população a adquirir o gosto pelo “bonito costume”.

“Hoje trouxemos o Cante alentejano, considerado pela UNESCO, Património Cultural Imaterial da Humanidade, em 2014. Esta gente fez centenas de quilómetros para cá chegar. Ambos de idade avançada, não sabemos como está o seu coração, as suas dores, não imaginamos; mas estão cá para cantar.  É muito bonito sentirmos que a solidariedade é isto mesmo, é estarmos todos e oferecermos aos outros o nosso trabalho, o nosso coração, as nossas palavras e também o nosso entusiasmo”, expressou o padre José Gonçalves, agradecendo a participação dos “Amigos do Cante” de Cuba neste dia solidário.

O pároco adiantou ainda que haverá mais duas iniciativas culturais agendadas. Em março, nos Casais da Serra, um encontro animado por ranchos folclóricos, e em abril, com um grupo de acordeões, no espaço das tasquinhas no Landal.

“É importante que a população e a comunidade se junte para este fim, porque cada vez é mais difícil nós termos nas nossas terras, os espaços e os meios onde as pessoas possam estar”, certificou o Presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, que marcou presença neste encontro, agradecendo aos presentes o contributo nesta causa. Tinta Ferreira valorizou a existência das residências paroquiais no centro das localidades para auxiliarem as comunidades no dia-a-dia.

O dirigente referiu que alguns párocos residem no centro da cidade caldense, porque não possuem casas paroquiais nos devidos lugares, exemplificando como realidades, as paróquias do concelho, Salir de Matos, Coto, Tornada e Salir do Porto. Alvorninha e Vidais, em que o seu pároco se deslocou para a freguesia da Benedita, no concelho vizinho, por não haver disponibilidade de espaço. O Centro Paroquial de Caldas da Rainha, que durante décadas, até chegou a acolher em comunidade tantos padres da região. Por sua vez e à imagem da casa do Landal, que tem acolhido o padre Gonçalves, também pároco em A-dos-Francos e São Gregório; Santa Catarina existe habitação própria, morando nela o prior que junta a mesma função no Carvalhal Benfeito.

“Aqui no Landal, a casa teve um acidente, um incêndio, que nos preocupou a todos, e o único que se podia mexer felizmente conseguiu aperceber-se do que se passava e por pouco tempo conseguiu sair. E ainda bem que o fez porque está aqui connosco e estamos naturalmente muito aliviados por isso. Agora é preciso reconstruir a casa, e eu sei que os meus amigos estão a colaborar, fazendo esforço nesse sentido, por isso a participação numerosa neste almoço”, declarou.

Confirmando também o contributo por parte do município, com um critério para as obras promovidas pela Fábrica da Igreja, Tinta Ferreira louvou o gesto das pessoas que estão a “criar condições” para que o padre José Gonçalves continue a viver no Landal, com oferta de roupas, cedendo espaço com independência para viver e trabalhar dignamente.

“Que o nosso amigo padre Gonçalves possa estar muitos e bons anos ao nosso lado, a promover a fé católica, a promover a ligação das pessoas, a promover a energia positiva, que nós precisamos todos os dias para viver melhor a nossa vida. Isso ele fá-lo muito bem. A presença de todos vós aqui hoje é espelho desta relação fraterna”, afirmou.

O presidente do município agradeceu ainda a visita do grupo de Cuba do Alentejo a Santa Susana, que pela primeira vez cantou em terras da região Oeste, por proporcionarem o momento tradicional tão castiço da sua cultura.

Em troca de recordações entre entidades, o colaborador da paróquia do Landal, José Morgado, que teve a ideia em trazer os Amigos do Cante, ao Landal, brindou o mestre Augusto Duarte com um abraço extensivo a todo o grupo, lembrando os presentes da importância do silêncio, na escuta desta arte, à semelhança como se canta o Fado.

“Aquilo que esta gente conseguiu para que o Cante fosse reconhecido como Património Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO, foi a vida dura que esta gente levou durante décadas de anos. Homens, que apesar de rugas na cara, e calos nas mãos, viajam pelo mundo, para representar Portugal, e ensinar-nos muita coisa que nós temos de saber respeitar”, sublinhou.

Reforçando as palavras de apoio transmitidas ao padre José Gonçalves neste dia, José Morgado sustentou que não basta reunir multidões de pessoas, tem de existir “vontade” e “querer” para que estas iniciativas aconteçam. “E chegarmos ao fim para podermos dizer, de consciência tranquila, fiz tudo o que pude para apoiar, para ajudar, qualquer pessoa necessitada”, realçou.

Por último, o porta-voz do Grupo Coral e Etnográfico Cubenses Amigos do Cante, Augusto Duarte, transmitiu o significado e a simbologia da sua tradição.

“Por vezes a gente tem uma vida melhor, mas esquecemo-nos do passado. As coisas ficam na nossa ideia, na nossa alma, mas também não podemos pensar sempre no triste, temos de ser alegres pois a alegria é que faz viver a gente”, revelou com emoção o representante, visivelmente agradecido pelo acolhimento proporcionado em Santa Susana.

Fundado em 26 de agosto de 1986, os “Amigos do Cante” têm levado o nome de Cuba e do Alentejo de norte a sul do país. Na imensidão da planície alentejana ainda se desenrola grande parte da atividade destes homens de trabalho. A fisionomia da paisagem marca a sua maneira de ser, de estar e de sentir. A tradição polifónica localmente designada por Cante é representada por repertório de modas onde os versos rimados, cantados sem acompanhamento instrumental constituem a natural exteriorização do sentimento popular; a alegria, a tristeza, o amor, a saudade.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)

(notícia João Polónia publicada no Comércio & Notícias a 5 de fevereiro de 2018)

http://comercioenoticias.pt/2018/02/05/almoco-solidario-com-cante-alentejano-em-santa-susana-landal-evoca-paroquianos-a-uniao-para-juntos-chegarem-longe/


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Eucaristia em Santa Susana – Landal integra cante alentejano e apela à construção da comunidade sob o ritmo do coração solidário

Na primeira passagem por terras da região Oeste, o Grupo Coral e Etnográfico Cubenses Amigos do Cante iniciou a Eucaristia dominical entoando o cante alentejano ‘O Bom Pastor’, em Santa Susana, freguesia de Landal, concelho de Caldas da Rainha, no passado 28 de janeiro. O padre José Gonçalves exortando os crentes à “construção” da comunidade sob “o ritmo do coração solidário”, valorizou a “força da partilha” dos que “entendem” que quando existe “uma necessidade maior”, fazem tudo para que a resposta seja sempre “presente”.

“Não tenhamos medo destas realidades, tenhamos medo sim em dizer mal dos outros, esse é o curto-circuito que fazemos ao bem comum”, afirmou, pedindo aos presentes para que o seu coração não se endureça, “não fique duro” aos gestos de paz, de verdade, fraternidade e de solidariedade.

Segundo o sacerdote, o primeiro cante entoado pelos habitantes de Cuba, que tem como refrão, ‘Cristo Senhor és o guia, o Bom Pastor que me conduz, a minha vida e a minha luz’, dá a todos os cristãos “força para caminhar no meio dos trambolhões da vida”. “Jesus Cristo é sem dúvida o nosso refúgio, fortaleza e amparo”, acrescentou.

Na homilia, o padre José Gonçalves disse que a liturgia daquele domingo evoca à temática da escuta e do escutar: ‘Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações’. Pedindo aos fiéis para serem “tutores da paz, da alegria e do abraço do perdão”, o responsável desejou que esta voz da verdade fique gravada no coração de cada um, faça história nas suas vidas e percurso de existência no mundo.

“A solidariedade é a maneira simpática e muito bonita como nós devemos crescer e viver em sociedade. A solidão não gera nada, o egoísmo ainda menos, o orgulho e a vaidade a todos nos desunem”, alertou.

Para o sacerdote é necessário saber escutar e memorizar a mensagem no coração, para que de “coração transformado”, se entenda cada vez mais a “dinâmica do bem”. “O mau feitio de dizer mal dos outros, o mau feitio de pensar coisas menos positivas, o mau feitio de só agarrarmos aos bens materiais, à fama, ao poder, aos privilégios; azedam na nossa relação humana”, frisou.

Lembrando as palavras do Papa Francisco, na sua recente intervenção, o padre José Gonçalves disse que a força do voluntariado é capaz de converter o mundo tão orgulhoso. “Dando bofetadas sem mão, os voluntários interrogam o mundo egoísta, que se dinamiza pelos interesses e bens”, reforçou.

O presbítero manifestou ainda que a Palavra de Deus “incomoda”, porque quem se agarra a ela tem de dar uma “grande volta à vida, tem de dar volta ao seu coração”.

“Muitas pessoas vivem ao abrigo da ganancia, da corrupção, em função dos interesses financeiros, na procura desmedida dos cargos e estatutos sociais, provocando tantas guerras, violência e conflitos; esses ainda não entenderam o que é a Palavra de Deus”, indicou.

Caracterizando as obras de misericórdia como “o verdadeiro tecido social e humano”, na convivência de uns para com os outros, o responsável pediu à comunidade paroquial para dar cada vez mais importância ao que “gera e constrói o verdadeiro edifício da verdade”.

No final da celebração eucarística, os Amigos do Cante louvaram a padroeira de Portugal, dedicando o seu cante a Santa Susana, a qual dá nome àquela pequena localidade da freguesia do Landal. Já no exterior, e perfilados na escadaria da capela, o grupo convidou os cristãos a ouvir e a meditar o tradicional ‘Cante ao Menino’. Três cânticos religiosos entoados pelo grupo alentejano, que suscitou na comunidade paroquial, o gosto por esta tradição polifónica, fomentando o silêncio e o auxílio na interiorização das suas preces.

O dia “grande” vivido em comunidade, foi marcado também por um almoço solidário, que reverteu fundos para a reconstrução da residência paroquial, recentemente consumida pelo fogo, ao desalojar este pároco das paróquias de A-dos-Francos, Landal e São Gregório do Patriarcado de Lisboa.

Em declarações ao Comércio & Notícias, o padre José Gonçalves disse que a liturgia hoje tem espaço para todas as vozes e deve promover, “com abertura suficiente”, todas as tradições musicais do nosso país.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) elegeu o Cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade em 2014. No entender deste sacerdote, se o Cante encanta multidões e tem elevo junto da comunidade internacional, também a Igreja Católica deve acolher o seu cantar no aspecto litúrgico, da mesma forma como já acontece com o Fado.

“Se não tiver lugar, considero que a liturgia escapa aquilo que são as pessoas, no fundo é também para as pessoas e não só para Deus. Nós precisamos da liturgia para crescer na fé, para crescer na alegria, para crescer na fraternidade, conforme Deus nos aconselha”, alertou.

O pároco clarificou que não se pretende cantar canções extra religiosas, mas sim cânticos que são “expressão de um povo”, mesmo a nível cristão, que ao longo da sua história se tornou presente com letras e músicas; “esse mesmo sentido é o palpitar da fé”.

Ao Comércio & Notícias, o padre José Gonçalves revelou ainda que foi com “emoção e imensa alegria” que ouviu o Cante dedicado a Nossa Senhora, com adaptação da letra, evocando também Santa Susana. “Fiquei comovido perante o cantar desta gente que apesar de tudo, gente já idosa, com dores no corpo e alguns achaques, mas que cantaram de uma maneira tão sublime e tão encantadora, que até nos inspira tanta espiritualidade”, confessou, lembrando que o ditado popular ‘cantar é rezar duas vezes’ continua bem presente e “ajuda-nos a interiorizar mais a sua palavra”.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)

(notícia João Polónia publicada no Comércio & Notícias a 1 de fevereiro de 2018)

http://comercioenoticias.pt/2018/02/01/eucaristia-em-santa-susana-landal-integra-cante-alentejano-e-apela-a-construcao-da-comunidade-sob-o-ritmo-do-coracao-solidario/


sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Nazaré: Cardeal-Patriarca exorta comunidade paroquial de Famalicão a fazer da igreja “morada de Cristo para muita gente”

D. Manuel Clemente pediu aos paroquianos de Famalicão, na Nazaré, que a sua casa de oração seja “morada de Cristo para muita gente”. Na Eucaristia comemorativa dos 50 anos da construção da igreja paroquial e sagração do altar novo, no passado 14 de janeiro, o Cardeal-Patriarca garantiu que a evangelização acontece, porque quem tem uma experiência forte de Cristo, alimentada pela palavra e sacramentos, “não é capaz de a calar, oferece-a aos outros”.

“Para esta igreja paroquial de Famalicão, onde através do acolhimento que se faça, onde através da Palavra de Deus que se proclama, onde através da catequese e dos sacramentos, onde através de tudo seja a morada de Cristo para muita gente”, expressou D. Manuel Clemente, manifestando a sua “alegria” por presidir à celebração. No segundo contacto com a comunidade paroquial, este ano pastoral, o responsável lembrou ainda as “boas e gratas recordações” vividas nesta paróquia, em diversas passagens ao longo da sua vida sacerdotal e episcopal.

O Cardeal-Patriarca deu os parabéns ao padre Manuel Borges, que era o pároco na altura, e também “a todos os que aqui estão e os que já cá estavam e que ajudaram a erguer esta igreja”, nesta paróquia da Vigararia de Alcobaça/Nazaré, presentemente cuidada ao prior Paolo Lagatta, e ao seu coadjutor Salvatore Forte, ambos jovens sacerdotes italianos.

Testemunhado na primeira pessoa, o padre Manuel Borges recordou os tempos de pároco e explicou que há 50 anos a igreja passou de reconstrução para construção. “Quando começamos a obra para reconstruir, percebemos que não tinha capacidade, e então num mês, o secretariado do Patriarcado de Lisboa fez um novo projeto para construir a nova igreja, ficou apenas a torre que ainda se mantém, todo o resto é novo”, manifestou. Lembrando “o esforço maravilhoso” da comunidade e população da localidade, o sacerdote revelou que os 12 anos ao serviço das paróquias de Famalicão e de Alfeizerão, representaram “as experiências mais bonitas” da sua vida. O padre Borges recordando com saudade, agradeceu a todos, de modo particular aos que já partiram, e suas famílias, no auxílio da edificação da nova casa, “que ainda hoje se mantém acolhedora”.

D. Manuel Clemente foi recebido no adro da igreja em ‘guarda de honra’ pelos escuteiros e acólitos, descerrou uma placa comemorativa dos 50 anos da dedicação daquele templo, e deixou uma mensagem no livro de honra. O Cardeal-Patriarca de Lisboa recebeu ainda a oferta de uma Imagem de Nossa Senhora da Vitória, criada por uma artesã local.


“Pedir a Deus o dom da comunhão, para que todos nos tornássemos pedras vivas da Igreja do Senhor”

Em declarações ao Comércio & Notícias, o pároco Paolo Lagatta disse que a celebração dos 50 anos serviu para dar uma oportunidade à comunidade paroquial de se “entender novamente sob o espírito da comunhão”.

“De fato, antes de celebrar um acontecimento exterior, na medida que faz referência às obras de construção da igreja, foi importante um olhar mais interior: pedir a Deus o dom da comunhão, para que todos nos tornássemos pedras vivas da Igreja do Senhor”, sublinhou.

Paolo Lagatta revelou que recebeu “com grande alegria e surpresa” a presença do Cardeal-Patriarca D. Manuel Clemente nesta celebração, sendo que já tinha estado na tomada de posse, em setembro. Também importante, para o jovem presbítero, foi “a presença e o testemunho” do padre jubilado da Diocese de Santarém, Manuel Borges, pároco de Famalicão na altura da construção da igreja.

“Foi muito graças à generosidade do povo, que com muitos esforços e donativos, concluíram o projeto. Era conhecida a «campanha do ovo» onde cada família oferecia um ovo por semana para ser vendido de modo a angariar fundos para a construção”, realçou.

O jovem italiano caracterizou o dia festivo como um momento importante, evidenciando três razões ao Comércio & Notícias.

A primeira, para dar graças a Deus, e celebrar a missa como ponto alto. “A Eucaristia é precisamente esta resposta do homem à intervenção de Deus na história que salva. Ação de graças porque Deus suscitou ao longo dos tempos a fé, que se mantém hoje como testemunho visível da paróquia”, declarou.

“A importância de fazer memória, sem a qual, no dizer do Papa Francisco, perdemos a nossa identidade cristã”. Neste sentido, a paróquia criou uma exposição temática evocativa dos 50 anos da igreja, no centro pastoral, intitulada ‘nós somos as pedras vivas’. Este espólio reúne documentos, alfaias e imagens sagradas, divididas por várias áreas, desde do batismo, sacramento de iniciação cristã (com particular destaque à pia batismal), até à Eucaristia, “fonte e cume de toda a vida”, com uma reconstrução do altar antigo da igreja primitiva. Nesta exposição também se pode consultar arquivos históricos e sobretudo fotografias, concedidas pela população local.

Por último, o pároco explicou que a Páscoa de Jesus Cristo, da qual “o Evangelho é testemunha”, não é uma realidade “estática”, mas “dinâmica”, “pelo que não consideramos este momento como um ponto de chegada, mas como um novo ponto de partida, para que sempre e com mais vigor, o anúncio da Boa Nova possa chegar mais longe e faça da comunidade paroquial as pedras vivas, edificadas como Casa espiritual”.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto)

(notícia João Polónia publicada no Comércio & Notícias a 26 de janeiro de 2018)


fotos - Paróquia Nossa Senhora da Vitória de Famalicão


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Eucaristia de abertura da Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras evoca ao anúncio de Cristo “que ninguém consegue calar”

O Cardeal-Patriarca sustentou que “ninguém é capaz de calar” uma “experiência viva” de Cristo, que se “desencadeia e transmite”, levando os crentes a assumir a sua identidade na Igreja e no mundo. Na Eucaristia de abertura da Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras, sob um programa “simples e belo”, D. Manuel Clemente exortou os cristãos das vinte paróquias da vigararia, a anunciar e testemunhar Jesus, “reconhecendo-se a si próprio”, contagiando a sua “vida à partilha”.

Recordando que no tempo dos primeiros séculos do cristianismo, demorou a que houvesse “autorização oficial para ser cristão”, o Patriarca de Lisboa lembrou que passados três séculos daquele império romano, quando as realidades começaram a acontecer, ainda assim, “ninguém os calou”.

“Nós aqui estamos muito bem, pudera, não havíamos de estar bem em Torres Vedras”, manifestou o torriense D. Manuel Clemente.

Também neste domingo, 14 de janeiro, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial do Migrante e Refugiado. Para o Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, hoje em dia no mundo inteiro, existem cada vez mais cristãos a serem submetidos a diversas formas de perseguição. “Neste momento e dia, tantos irmãos nossos que arriscam a vida, mas arriscam mesmo, para se reunirem em alguma casa, quer para celebrarem a Eucaristia, como para transmitirem a sua palavra e o evangelho”, sublinhou.

Cada uma das paróquias desta vigararia, “transporta, em cada um, tanta coisa difícil, tanta coisa pesada e alheia, que espera redenção”. Segundo o responsável da Diocese de Lisboa é através do exemplo de Jesus Cristo “que nos faz viver de outra maneira”, e de uma “paz profunda”, que a reconciliação pode acontecer entre cristãos, utilizando toda a atividade evangelizadora e catequética.

Depois da ressurreição de Jesus Cristo, quando a história da Igreja o recomeça, o Cardeal-Patriarca pede a cada igreja e a cada uma das comunidades, que saibam responder sempre, “não temos ouro nem prata para dar, temos o nome e a pessoa de Jesus“. Que todo o ato catequético, palestra e conversa, pregação, homilia, em igrejas paroquiais e nas outras “igrejas domésticas” de cada família cristã, “se anuncie Jesus”, apelou.

Numa homilia espontânea e próxima, diante os seus conterrâneos, no Centro Pastoral de Torres Vedras, D. Manuel Clemente partilhou um episódio pessoal. “Reencontrei há tempos aqui um colega do meu grupo de catequese, nos anos 50, e perguntei-lhe se ele continuava a ir à missa; ele respondeu-me que sim, porque ‘com Jesus a conversa nunca mais acaba’”, revelou, justificando que as palavras dadas à sua questão, são hoje “teologia boa”.

“Às vezes contrista-me, eu próprio, e às vezes também, como nós passamos assim tão ao lado dos sinais da presença viva de Cristo ressuscitado nas nossas igrejas, distraídos ao sacrário e à palavra. É como acontece na nossa vida, os outros estão, mas se nós não dermos por eles, é como se não estivessem”, declarou.

“Os gestos simples representam a sua figura, que acolhe, que reconcilia, que consagra. Que o silêncio acolha, respeite, e tudo o que nós façamos convirja para Cristo; e depois a partir dele se aplique como uma companhia e uma presença demorada”, acrescentou, lembrando a azafama desmedida de muitas pessoas, na procura “de tantas coisas complicadas, para fazer o que deveria ser tão simples”.

Foi “a partir de Deus” e com dicas simples e práticas, que o Patriarca de Lisboa e seus Bispos Auxiliares, D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás, começaram a Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras. Reunindo o clero, conselhos pastorais e comissões das igrejas das 20 paróquias, que compõem esta vigararia, a Eucaristia de abertura, participada pelos paroquianos, marcou a primeira ação do evento, que decorrerá até 11 de março, com o tema ‘Palavra e Missão’.

“Quando nós voltarmos a encontrar, daqui a dois meses, na conclusão desta visita pastoral, certamente, nestas palavras que vivemos e nas experiências que vamos tocando, tudo isto terá mais preenchimento nas nossas vidas, e muito fruto da tal Nova Evangelização, que tanta gente está à espera”, concluiu D. Manuel Clemente.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)

(notícia João Polónia publicada no Comércio & Notícias a 18 de janeiro de 2018)

http://comercioenoticias.pt/2018/01/18/eucaristia-de-abertura-da-visita-pastoral-a-vigararia-de-torres-vedras-evoca-ao-anuncio-de-cristo-que-ninguem-consegue-calar/


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

D. Manuel Clemente abre Visita Pastoral em Torres Vedras convidando os cristãos da vigararia a viver “em função dos outros”

“A Nova Evangelização”. A expressão foi utilizada pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa para retomar o que foi o slogan da visita pastoral, de há 25 anos, no tempo do Cardeal D. António Ribeiro. Os dados estatísticos visualizados são “números típicos e desafios concretos” de uma situação de nova evangelização, que é “sempre nova e permanente, enquanto novidade do Evangelho”, declarou D. Manuel Clemente, ao iniciar a Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras, realizada no passado domingo, 14 de janeiro, no Centro Pastoral de Torres Vedras, com o tema ‘Palavra e Missão’.

“É preciso que sejamos suficientemente criativos, para que, com um novo ardor, com novos métodos e com novas expressões repormos o Evangelho de sempre”, revelou.

No primeiro diálogo com o clero, conselhos pastorais e comissões das igrejas das 20 paróquias desta vigararia, o Patriarca de Lisboa manifestou que atualmente quer na vigararia de Torres Vedras, quer nas restantes, da zona e periferia de Lisboa, ao mesmo tempo, e às vezes na mesma rua e no mesmo  prédio, ainda se encontra uma ação pastoral de nova evangelização. “Encontramos pessoas que não sabem nada do Evangelho, não porque as famílias esqueceram, mas porque nunca aprenderam”, garantiu, explicando que muitos fiéis vão à igreja, de vez em quando, ou até uma vez por mês, praticando à sua maneira, seja na festa da terra, como no 13 de maio em Fátima, mas sem estarem inseridos na vida pastoral.

O responsável, também Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, considera que este cenário “encaixa num quadro geral” semelhante ao da população do país, das 20 dioceses, e do próprio Patriarcado de Lisboa, que em caminhada sinodal, insiste “na Palavra de Deus como lugar onde nasce a fé”. Segundo D. Manuel Clemente, ao longo destes três últimos anos, na Diocese de Lisboa, quer no aprofundamento do Evangelho, quer na liturgia, ou na ação sócio-caritativa, deve existir um crescimento em comunidade, capaz de estabelecer uma “rede de relações familiares”.

“Nós temos de aproveitar esta visita pastoral, no sentido sinodal, isto é, ativar conselhos pastorais, ativar conselhos económicos paroquiais, e ativar tudo aquilo que nos faça viver uns com os outros, porque, é exatamente nesta ativação que nós fazemos o caminho comum, que o sínodo significa na nossa Igreja de Lisboa”, sustentou.

Num tempo de perguntas e respostas com os leigos, abordando assuntos como o matrimónio, a vida consagrada, a catequese e os jovens, o bispo diocesano disse que para além dos crentes serem educados na comunidade cristã, a dar lugar ao “acolhimento, acompanhamento, discernimento e integração”, do próximo, com “disponibilidade”, é fundamental encarar a vida como uma missão a partir do Evangelho e “nunca partindo de si próprio e suas ideias”.

O torriense D. Manuel Clemente indicou que “a radicalidade da conversão cristã é o único futuro do cristianismo”, e que para isso, é “necessário fazer eco do que Jesus Cristo disse e fez”, exortando todos os crentes a “morrer” e “ressuscitar” para concretizar a “vocação batismal”.

“Quem pensa que se vai ordenar porque gosta muito de se ver no seu espelho imaginário, de um sacerdócio qualquer, com mais ou menos modas e capelos, esqueça, não dá para nada”, alertou o Patriarca de Lisboa, exortando o clero a deixar-se possuir por Cristo, “sacerdote e pastor”, e passar a viver definitivamente “em função dos outros”.

Segundo o responsável, o Papa Francisco tem insistido muito na apresentação do ‘Kerigma’, palavra grega que significa o primeiro anúncio, a Páscoa e a novidade de Cristo. Para D. Manuel Clemente quando não se começa do princípio, também não se chega a fim nenhum. “O problema de muitas das comunidades e famílias, inseridas nos respectivos grupos e movimentos, é nunca terem ouvido e entendido, que a vida cristã, não passa pela minha vida com umas tintas cristãs em cima”, apontou, frisando que uma religiosidade natural “com água benta em cima, fica tudo estragado”.

Com o tema dos divorciados a surgir ao diálogo, o Cardeal-Patriarca lembrou que até 1975 quem tinha casado catolicamente não podia recasar, portanto estava sempre apto para ser padrinho ou madrinha. Nessa altura havia sociedades sacralizadas, em que “o sagrado ficava ali mal metido”.

“Hoje vivemos numa sociedade diferente, as pessoas fazem os seus percursos e alternativas, no fundo somos muito tolerantes, sobretudo, para não nos preocuparmos com o bem ou mal dos outros, tudo isto vem ao de cima, porque existe fragilidade das convicções”, recordou.

D. Manuel Clemente lembrou ainda a importância do sínodo que os diocesanos de Lisboa se encontram a viver, com insistência neste ano, para depois aplicar incessantemente, inseridos na Palavra de Deus como lugar onde nasce a fé. “Nós não temos mais nada, nem para nós, nem para os outros enquanto cristãos, se não a vida de Jesus Cristo; o Evangelho, aquilo que Jesus propõe, e o seu modo de vida, devem-nos mover sempre num tempo de graça e conversão”, salientou.

Solicitado pelos paroquianos da Vigararia de Torres Vedras a apresentar algumas dicas práticas para manter ativa a dinâmica das estruturas, o Cardeal-Patriarca aconselhou o uso da Internet como ferramenta útil, para chamar e convidar mais pessoas para as celebrações, auxiliando as comunidades na criação de “redes”, proporcionando momentos de leitura bíblica, oportunidades de divulgação de atividades, fazendo as realidades crescer a partir de Deus. “Enquanto há anúncio, a Palavra de Deus começa a ganhar espaço na nossa imaginação e no nosso coração, enaltecendo o grande lugar da proclamação”, assegurou, acreditando que uma “catequese mais bíblica”, não no sentido dos crentes se tornarem numa “religião do livro”, mas na valorização do Evangelho, “cria vida e gosto”, como testemunhos já apresentados por grande parte da população.

“A semente é a Palavra de Deus e o semeador é Cristo, mas tem de ser lançada, e que seja a semente e não a nossa conversa”, alertou. O Patriarca de Lisboa disse que em muitos casos a semente surge em “terreno bom”, mas depois tem de ser “tratada e cultivada”. “Uma vez projetada à terra e mesmo que o semeador esteja a dormir, ela vai crescendo até aparecer e dar fruto”, recordou o responsável, consciente de que todos os diocesanos têm à sua disposição “uma serie de indicações práticas” para alimentar uma boa evangelização em sociedade, capazes de viver no “respeito mutuo”, dando “espaço à transmissão das convicções de cada um”.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)

(notícia João Polónia no Comércio & Notícias a 16 de janeiro de 2018)



sábado, 13 de janeiro de 2018

Cardeal-patriarca abre Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras este domingo

É já amanhã, 14 de janeiro, pelas 15h00, no Centro Pastoral de Torres Vedras, que o cardeal-patriarca vai começar a Visita Pastoral àquela vigararia do Patriarcado de Lisboa, até ao dia 11 de março, com o tema ‘Palavra e Missão’.

Segundo comunicado enviado ao Comércio & Notícias, a cerimónia de abertura dá-se com um encontro com o clero, conselhos pastorais paroquiais e comissões das igrejas; seguida de Eucaristia, pelas 17h30, presidida por D. Manuel Clemente, aberta a todos os que desejarem participar.

Entre 31 de janeiro e 10 de março, o Patriarca de Lisboa vai encontrar-se, por exemplo, com autarcas, catequistas, famílias e jovens. D. Manuel Clemente abre o ciclo de conferências marcadas para as 21h30, a começar na quarta-feira, 31, com o meio empresarial, no salão paroquial de Ponte de Rol; e conclui com a juventude no Centro Pastoral de Torres Vedras. No mês de fevereiro, recebe o grupo de Catequistas no auditório do Externato de Penafirme, em A-dos-Cunhados; o sector da Pastoral Social no salão de festas da paróquia da Silveira; e a Liturgia na Casa do Povo de Ramalhal. O Centro de Espiritualidade do Turcifal e o Centro Pastoral de Torres Vedras acolhem a Família e os Autarcas, nos dias 2 e 9 de março, respectivamente.

As ações da Visita Pastoral às paróquias da vigararia, durante os dois meses, ficam a cargo dos Bispo Auxiliares, D. Joaquim Mendes e D. Nuno Brás. Nos dias, 16 a 21 de janeiro (Torres Vedras, Outeiro da Cabeça e Campelos); 23 a 28 de janeiro (Matacães, Carvoeira e São Domingos de Carmões); 30 de janeiro a 4 de fevereiro (Silveira e São Pedro da Cadeira); 6 a 11 de fevereiro (A-dos-Cunhados, Vimeiro, Monte Redondo e Maxial); 14 a 18 de fevereiro (Dois Portos, Runa e São Mamede da Ventosa); 23 a 25 de fevereiro (Freiria); 27 de fevereiro a 4 de março (Ponte do Rol); e 6 a 10 de março (Ramalhal e Turcifal).

O cardeal-patriarca fará o encerramento da Visita Pastoral no dia 11 de março, em Eucaristia pelas 16h00 no pavilhão Multiusos de Torres Vedras. Uma Jornada Penitencial Vicarial marca a conclusão do evento do Patriarcado de Lisboa, com a realização de uma via sacra, desde das 14h00, a partir de três pontos distintos, da cidade até ao pavilhão.

A abertura da Visita Pastoral à Vigararia de Torres Vedras do Patriarcado de Lisboa, a realizar no próximo domingo, contará com transmissão em direto na página do Comércio & Notícias, da rede social Facebook. Acompanhe!


João Polónia/Comércio & Notícias

(notícia João Polónia publicada no Comércio & Notícias a 13 de janeiro de 2018)

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Rio Maior: Escuteiros cantam Janeiras ao bispo diocesano e são convocados a seguir caminhos com pista

Os escuteiros do Agrupamento 403 do Corpo Nacional de Escutas, entoaram o canto das Janeiras ao Bispo de Santarém, e restante assembleia, durante a missa vespertina, que presidiu, em Rio Maior, por ocasião da Solenidade da Epifania do Senhor. O gesto manifestou o agradecimento pela primeira visita, enquanto bispo diocesano, a esta comunidade paroquial.

D. José Traquina exortou os diversos elementos das quatro secções ali presentes, “a seguir até lá chegar”, exprimindo que do mesmo modo que os reis magos seguiram “o caminho que tinha pista”, também os escuteiros devem ser orientados pela “luz da fé, a luz da promessa, a luz dos princípios da lei”. “Fazer os jogos de pista, descobrir os sinais todos, chegar ao fim e ser bem classificado”, envolve “toda esta fraternidade, que nos traz muita beleza para a vida toda”, reforçou.

“Foi para mim uma grande escola”, revelou o dirigente José Traquina, com o repto aos jovens a construir pontes com o exemplo dos irmãos escutas mais velhos.

“Aprendei bem esta proposta que nos é dada neste caminho, é o grande bem para o vosso futuro, depois como homens e mulheres, com estes sinais e aprendizagem toda que o agrupamento vos pode oferecer. Deus inspire os vossos dirigentes e os vossos pais a ajudarem a crescer bem”, manifestou.

Nesta celebração, o bispo alertou ainda a juventude, evocando o Sínodo dos Bispos, convocado pelo Papa Francisco, a realizar este ano, com o tema “os jovens, a fé e o discernimento vocacional”. Lembrando que o acontecimento levará os bispos do mundo inteiro junto do Santo Padre, a falarem sobre os jovens, as suas esperanças, os seus medos e o que ambos esperam da Igreja, D. José Traquina acredita que na diocese de Santarém a dimensão vocacional “seja transversal a todos os cristãos”. “Todos somos chamados. O Senhor chamou-nos à vida, chamou-nos à fé, e na fé chama-nos a ocupar um lugar; por isso Deus conta connosco”, apontou.

D. José Traquina mobilizou a juventude à participação, consciente de que este sínodo seja para cada um deles, uma “oportunidade muito grande para descobrir que Deus os chama a todos”.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)

(notícia publicada no Comércio & Notícias a 11 de janeiro de 2018)



quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

População e adeptos aderem aos festejos do Caldas Sport Club pelas ruas da cidade

O Caldas Sport Club passou às meias finais da Taça de Portugal, e o clima de festa no "Mini-Jamor" (Campo da Mata) reflectiu-se pelas ruas da cidade, pela noite dentro, com a população e adeptos a celebrar junto dos jogadores. 

(Imagem/edição João Polónia/Comércio & Notícias)


sábado, 6 de janeiro de 2018

Oração pela Paz na Benedita exorta crentes a acolher, proteger, promover e integrar

“Fazer a Paz é obra de Deus neste mundo. Assim o fez Jesus, do Presépio à Cruz. Assim continua a ser, pelo Espírito Santo que nos deu. Também deste modo compreenderam os jovens e outros cristãos com quem rezei na Benedita”. As palavras são do cardeal-patriarca de Lisboa, em declarações ao Comércio & Notícias, caracterizando aquele encontro de oração pela paz, no primeiro dia de 2018, como “uma boa maneira de começar o ano a partir de Deus”.

Dinamizada pela pastoral juvenil da paróquia da Benedita (vigararia de Alcobaça/Nazaré), a celebração presidida por D. Manuel Clemente, teve por base a mensagem do Papa Francisco para o 51º Dia Mundial da Paz, e evocou como dimensões essenciais, os quatro verbos centrais, “acolher”, “proteger”, “promover” e “integrar”.

Também quatro jovens da paróquia da Benedita manifestaram os seus testemunhos desta atividade ao Comércio & Notícias.

Emanuel Silva disse estar consciente de que ambas as ações devem ser concretizadas também “nas comunidades paroquiais mais pequenas, entre vizinhos e até na própria família”. “Nos dias de hoje, o Santo Padre diz-nos que podemos e devemos praticar estes gestos sobretudo junto da comunidade migrante, pois muitos vêm de onde nada têm, em busca de uma vida melhor e por isso nós podemos acolhê-los, oferecer-lhes proteção e segurança, promover uma vida estável integrando-os na sociedade”, sustentou.

“Acolher, como Maria e José acolheram o Filho de Deus; Proteger, como no episódio da Sagrada Família com a fuga para o Egipto da perseguição do rei Herodes; Promover, educando Jesus e acompanhando-o no seu crescimento; e Integrar Jesus, Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem efetivamente”, justificou o jovem apelando os fiéis à construção da paz sob “um olhar terno” e focado no essencial, “o nascimento do Menino no presépio”.

Rafael Santos afirmou que a vigília orante foi mais uma ocasião oportuna para, “em conjunto com todo o mundo, a comunidade paroquial se juntar e rezar pela paz, numa altura crítica em diversos países, com crise de refugiados e migrantes”. Para este jovem e acólito, a “presença” do cardeal-patriarca “marcou” com palavras dirigidas à juventude e a “todos aqueles que já foram jovens à algum tempo”.

Martina Ferreira recordou que a Oração pela Paz no primeiro dia do ano já é uma tradição antiga dos jovens da paróquia da Benedita. Segundo a jovem, neste ano, em que a mensagem do Papa Francisco “se centrou bastante nos refugiados, a presença do nosso bispo D. Manuel Clemente veio dar um sentimento ainda mais especial à celebração”.

“Assim, rezámos para que as palavras centrais da mensagem, “acolher”, “proteger”, “promover” e “integrar”, se tornem cada vez mais efetivas, face à realidade que o mundo de hoje enfrenta”, declarou.

Já Rafaela Vieira caracterizou a atividade como um “momento de retiro pessoal e espiritual”, com possibilidade de reflexão sobre os próprios, “enquanto seres Humanos individuais e seres Humanos num contexto social”. “Esta oração fez-nos olhar para o nosso passado, com esperança de um futuro melhor”, reforçou.


João Polónia/Comércio & Notícias

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

800 combatentes e familiares celebram Missa de Natal nas Caldas da Rainha

(foto/Facebook - Liga dos Combatentes - Núcleo de Caldas da Rainha)
O padre Joaquim da Nazaré Domingos exortou os crentes a “ver” e “ouvir” os sinais do tempo, para entender como combater “os problemas do mundo de hoje”, junto dos mais próximos. “É necessário estarmos vigilantes na chegada de uma Luz que vem do Alto, do transcendente, de Deus, para acolhermos Jesus Cristo, que todos anos nos guia e renova as nossas vidas, de modo especial no Natal”, alertou o Capelão do Hospital das Forças Armadas, na Missa de Natal do Combatente dos Núcleos do Oeste, celebrada no passado 9 de dezembro, nas Caldas da Rainha.

Na homilia, o sacerdote manifestou que os cristãos são “chamados” a ser “luz”, dando continuidade às ações despertadas pela quadra natalícia, como o “apontar do caminho” e a “perenidade da mensagem”, mantendo-se “fiel no seguimento” com sentimentos de alegria, fecundidade e abundância, próprios daquele tempo do Advento.

Lembrando a importância dos recursos essenciais para a sobrevivência de todos, Joaquim da Nazaré Domingos enalteceu o sentido do zelo da “Casa Comum”, apelado tantas vezes pelo Papa Francisco.   
“Não podemos ficar parados, é urgente cuidar e proteger o planeta onde vivemos, dedicando atenção reforçada aos problemas e dificuldades que a natureza nos proporciona constantemente”, sustentou, recordando o ano enlutado pelos incêndios florestais marcado com mortes, onde pessoas e famílias ficaram sem nada, a falta de água e o estado de seca já declarado.  

Com organização do núcleo caldense, a Eucaristia contou com a participação de cerca de 800 pessoas, com representação dos Núcleos do Centro Oeste, de, Caldas da Rainha, Peniche, Alcobaça, Rio Maior, Batalha, Leiria e Marinha Grande, entre associados, familiares e amigos, na Igreja de Nossa Senhora da Conceição. O capelão do ordinariato castrense, que presidiu a esta celebração, relacionou a mensagem litúrgica com a Missão da Liga dos Combatentes no contexto das Forças Armadas. Saudando todos os presentes, desejando a continuação de um santo e feliz Natal, o presbítero frisou o quanto “as famílias são importantes na missão de todos os Combatentes”. 

Em declarações ao Comércio & Notícias, o padre Joaquim da Nazaré Domingos elogiou o empenho dos militares, que ainda hoje sacrificam as suas vidas para concretizar a “missão humanista e de paz em diferentes lugares”. “É prioritário defender os valores e promover a dignidade da pessoa humana, na ajuda solidária para com os que mais precisam”, revelou.


João Polónia/Comércio & Notícias

http://comercioenoticias.pt/2017/12/27/800-combatentes-e-familiares-celebram-missa-de-natal-nas-caldas-da-rainha

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Natal: Bispo de Santarém encoraja cristãos a recomeçar tudo de novo

D. José Traquina, na Eucaristia da Noite de Natal (Missa do Galo), que presidiu pela primeira vez como bispo diocesano, na Sé Catedral, disse que o dia litúrgico, assinala o “nascimento” de uma “nova era marcada pela fidelidade de Deus no cumprimento das suas promessas”; alertando os crentes para a existência de “trevas” que ofuscam constantemente o caminho.

Sublinhando o excerto litúrgico, “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz”, o Bispo de Santarém lembrou que a “falta de respeito e consideração pelo povo que vivia na pobreza, a falta de respeito pela vida humana e a indiferença dos poderosos”, são trevas ainda hoje manifestadas.

“Todas as famílias que no mundo buscam o seu lugar e o reconhecimento da sua dignidade, encontram em Jesus, Maria e José o melhor testemunho e uma intercessão”, sustentou, recordando  as “crianças submetidas a tantas dificuldades” que parece não haver solução para elas.

Celebrar o Natal do Senhor “tem tanto de beleza como de responsabilidade”. “O Natal é também um grande apelo à conversão. Conversão a um Amor que nos distingue na verdade e na liberdade, e nos leva a renunciar ao que é injusto”, exortou o responsável diocesano, exprimindo que o tempo vivido pelos cristãos constitui “oportunidade” para “refazer relacionamentos e recarregar baterias de esperança”, com apelos ao perdão, à fidelidade e ao empenho pelo “bem comum da sociedade e do mundo em que vivemos”.

“A esta nova Luz corresponde um novo tempo sonhado, onde a Graça de Deus se afirma disponível; desaparecerão a opressão, a violência e a guerra, e terá início uma era de Paz, de Justiça e de Fraternidade”, certificou, garantindo que apesar de existirem trevas, “a Luz de Deus reacende-se como vocação e missão de vida”.

Nesta mesma dimensão, D. José Traquina lembrou o modelo de serviço da Serva de Deus Luiza Andaluz. Na comemoração dos cem anos, a fundadora da Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, foi reconhecida pelas suas “virtudes heróicas” pelo Papa Francisco, com decreto assinado a 19 de dezembro. “É uma etapa central e decisiva para que, Luiza Andaluz venha a ser um dia reconhecida e declarada como Beata ou Santa”, revelou com o repto aos presentes a alegrarem-se pelo reconhecimento, traduzindo num “sinal” para toda a Igreja, de forma especial para a diocese, escalabitanos e cidade de Santarém. “É um testemunho de vida cristã e uma intercessora junto de Deus que devemos considerar”, concluiu.


João Polónia/Comércio & Notícias (texto e fotos)